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domingo, 22 de janeiro de 2012

Governo português deve rejeitar a pressão americana pró-OGM

A Embaixada Americana em Lisboa pressionou a Ministra da Agricultura, a Assembleia Legislativa e o Governo Regional dos Açores no final de 2011 para que não seja criada a zona livre de transgénicos já anunciada pelo executivo regional

A Plataforma Transgénicos Fora condena este lóbi oficial a favor dos interesses privados de algumas empresas americanas e apela ao governo açoriano para que avance de imediato para a concretização da zona livre no arquipélago. 

Esta iniciativa americana não surpreende, uma vez que os telegramas diplomáticos americanos revelados pelo WikiLeaks mostram um padrão de interferência generalizada nas políticas europeias sobre OGM, desde a França à Itália, à Hungria e até ao Vaticano, entre outros. Os responsáveis americanos chegaram inclusivamente a ver a subida dos preços dos alimentos 
como uma oportunidade de garantir mais autorizações de transgénicos para a Europa. O objectivo assumido, tal como refere uma publicação oficial americana, é "educar" os europeus para os méritos dos alimentos transgénicos e evitar "precedentes com implicações".  
Mas a posição americana agora revelada no telex da Lusa mostra que a embaixada não conhece os factos: 

– O embaixador Allan Katz pretende que os agricultores açorianos tenham acesso aos transgénicos, mas isso já acontece desde 2005 e nunca esses produtores mostraram qualquer interesse em os semear (à exceção de um único campo em 2011, de índole "experimental", segundo o governo regional). 

– Os transgénicos são apresentados como inócuos, mas a própria agência de regulamentação alimentar americana, FDA, se escusa a atribuir qualquer selo de segurança aos transgénicos que circulam no país. 

– Os transgénicos são também apresentados como um avanço agrícola mas de facto, entre 2007 e 2008, cerca de metade dos agricultores portugueses no continente que os usaram por sua iniciativa no primeiro ano já os tinham abandonado no ano seguinte.  

– A proibição de cultivo por países e regiões é precisamente um dos direitos já reconhecidos pela Comissão Europeia, que aceitou oficialmente a criação da zona livre da Madeira. 

– A utilização de transgénicos na agricultura tem acarretado tal contaminação que o cultivo de sementes convencionais e biológicas já foi posto em causa em vários países, incluindo os próprios Estados Unidos. Essa evolução representaria uma perda real e irreversível para a diversidade açoriana, algo que o embaixador opta por não considerar. 

Se os transgénicos fossem assim tão vantajosos para os portugueses como o embaixador refere, não seria necessário vir cá tentar forçar o seu uso.  

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Açores querem tornar-se Zona Livre de OGM

O Governo dos Açores vai apresentar no parlamento regional, durante o primeiro trimestre de 2012, uma proposta legislativa para proibir o cultivo de transgénicos ou organismos geneticamente modificados no arquipélago. O anúncio foi feito por Noé Rodrigues, secretário regional da Agricultura, que garante que se trata de uma iniciativa "cautelar". 

Foto: Olima. Milho Transgénico. Agosto de 2010. Cabouco, Lagoa-Açores

"Neste momento, por razões de cautela, achamos que devemos introduzir o princípio do não cultivo de organismos geneticamente modificados na região", frisou o secretário regional, salientando ainda a falta de certezas da comunidade científica sobre esta matéria.  
Noé Rodrigues reconheceu que, numa região em que é "fundamental manter os níveis de competitividade e sustentabilidade agrícola", importa acompanhar o "evoluir das posições da comunidade científica" neste domínio para "em cada momento poder tomar as decisões mais adequadas".  
"Nesta fase, considerando aquilo que oferecemos como região de destino de turismo de qualidade, os impactos económicos na agricultura e a valorização dos produtos agrícolas regionais, é conveniente manter o arquipélago livre do cultivo de organismos geneticamente modificados ", defendeu o secretário regional da Agricultura. 
Numa reacção ao comentário da presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, que considerou ser "hipócrita" e lesiva dos interesses dos produtores regionais a proibição da cultura de organismos geneticamente modificados, Noé Rodrigues retorquiu que quem revela hipocrisia nesta matéria é a Comissão Europeia.  
"A hipocrisia está na posição comunitária que, ao proibir, condicionar e limitar o cultivo de OGM, autoriza, por exemplo que se importe ou se venha a importar de forma descontrolada carne da América do Sul, produzida com base em organismos geneticamente modificados que na Europa não são utilizados", concluiu.

Fonte: CM

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Digressão pelas Sementes Livres - SEED SAVERS TOUR 2011



No próximo dia 4 de Novembro, Portugal receberá a visita dos Seed Savers da Austrália, Michel e Jude Fanton, precursores da consciência global pela preservação das sementes e da sua divulgação junto dos permacultores e horticultores por todo o mundo. Ao longo de 10 dias partilharão os seus conhecimentos de permacultura e preservação de sementes locais em eventos espalhados de norte a sul do país.

Nas suas hortas e nos cursos de permacultura, Michel e Jude sempre evidenciaram a conservação da bidiversidade e a produção de sementes como componentes essenciais da produção de alimentos.
A concentração do mercado das sementes a partir de meados dos anos 70 resultou no desaparecimento de milhares de variedades não rentáveis e a sua substituição por uma pequena quantidade de híbridos. Foi este panorama que levou Michel e Jude a fundar a “Seed Savers' Network”, em 1986, como ferramenta para contrariar a globalização das sementes e as patentes sobre as plantas. Rapidamente foram reconhecidos no meio permacultor como o braço sementeiro da Permacultura.
Este ano a rede dos Seed Savers celebra 25 anos de trabalho pioneiro na área da acção comunitária pelas sementes e conta já com cerca de 100 redes locais de sementes na Austrália, para além de ter dinamizado a preservação de sementes tradicionais em outros 40 países, entre eles Afeganistão, Índia, Japão, Timor e Equador.
Os Seed Savers levaram a cabo um importantíssimo trabalho de recolher, catalogar e guardar sementes de variedades tradicionais por toda a Austrália. Estas sementes são mantidas vivas replantando em média 1.200 variedades por ano nas hortas dos Seed Savers e trocando-as entre hortelões espalhados por toda a Austrália, contribuindo assim para a adaptação contínua das plantas locais.
Para além da participação em diversos estudos de investigação científica, individualmente ou em conjunto com universidades e outras instituições, o trabalho de Michel e Jude Fanton consiste em apoiar a criação de redes locais de troca de sementes, bancos de sementes e hortas de preservação de sementes de variedades tradicionais um pouco por todo o mundo. Entre as suas publicações constam o “Seed Savers' Handbook” - uma referência para cultivar, preparar e conservar 117 variedades tradicionais de plantas alimentares da Austrália e da Nova Zelândia – e o documentário “Our Seeds” / “As Nossas Sementes” - filme que celebra os guardiões de sementes, os agricultores e horticultores que preservam e partilham a fonte da nossa herança alimentar diversa -. Em breve lançarão um novo documentário, “Our Roots”, filmado em Vanuatu.
Michel e Jude Fanton são uma inspiração para milhares de hortelões e defensores da nossa herança alimentar comum. Permacultores de longa data (os seus desenhos figuram no manual de Permacultura e o Bill Mollison foi um visitante frequente nas suas hortas), hoje dedicam-se sobretudo a espalhar a mensagem das sementes tradicionais e a apoiar a criação de sistemas locais de preservação e troca de sementes.

Programa SEED SAVERS TOUR, 4 a 13 de Novembro 2011
4 a 6 de Novembro, São Brás de Alportel, Algarve: Encontro anual da Semente da Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais, a Colher para Semear, com projecção do filme de Michel e Jude Fanton “As Nossas Sementes”, seguida de conversa informal no dia 4 pelas 20.30h.
8 de Novembro - 16-18 h, Escola Casa Verdes Anos, Monsanto, Lisboa:Oficina para pais e professores facilitada por Michel e Jude Fanton sobre hortas em escolas.
Inscrições através do email casaverdesanos@gmail.com. Para apoiar a vinda dos Seedsavers pedimos um donativo sugerido de 5 euros.
9 de Novembro - 11-13 h, Horta do Monte, Graça, Lisboa: Oficina para hortelões e interessados facilitada por Michel e Jude Fanton sobre preservação de sementes tradicionais e a criação de redes locais de sementes.
Inscrições através do email sementeslivres@gaia.org.ptPara apoiar a vinda dos Seedsavers pedimos um donativo sugerido de 3 a 5 euros.
9 de Novembro – 19 h, Auditório da Faculdade de Belas Artes (UL), Lisboa: Projecção pública do filme “As Nossas Sementes”, seguida de debate com Michel e Jude Fanton e oradores convidados.
Para apoiar a vinda dos Seedsavers pedimos um donativo sugerido de 3 euros.
9 de Novembro - a partir das 22 h, no Bartô, Costa do Castelo, Lisboa:Festa benefit "Save Our Seeds - SOS Sementes!", ao som dos Soundclowns,para apoiar a Seed Savers Tour!
10 de Novembro – 15-20 h, Horta do Botânico, Coimbra:
15-17 h: Oficina de sementes com vários especialistas portugueses de sementes e os "seed savers" Michel e Jude Fanton. Contribuição de 5 € (estudantes 3 €).
17-19 h: Oficina de culinária “sementes na mesa”, seguida de jantar convívio com os resultados da oficina. Contribuição de 10 € (estudantes 6 €).
Contribuição para quem faz as 2 oficinas: 12,50 € (estudantes 8 €). Contacte a organização se quer participar mas não tem possibilidade nenhuma de contribuir financeiramente.
Sessão organizada pelo Jardim Botânico e o Grupo Transição Coimbra. Inscrições através do email transicaocoimbra@gmail.com
10 de Novembro – 20.30 h, Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra:Projecção pública do filme “As Nossas Sementes”, seguida de debate com os Fanton e oradores convidados.
Sessão organizada pelo Jardim Botânico, o Grupo Transição Coimbra e o Centro de Estudos Sociais.
12 e 13 de Novembro, Jardim Botânico, CoimbraCurso de Introdução à Permacultura, facilitado pelo Maurício Umann d'O Fojo, co-facilitado entre outros por Michel e Jude Fanton e Annelieke van der Sluijs. Programa especial de Sábado à noite: Jantar e Tertúlia sobre a Soberania da Semente com a Campanha pelas Sementes Livres.
Curso organizado pelo Jardim Botânico, o Grupo Transição Coimbra e O Fojo com apoio da Campanha pelas Sementes Livres. Ver o cartaz aqui.
Inscrições para o curso ou apenas para a sessão de Sabado até 10 Novembro através de transicaocoimbra@gmail.com
*O investimento (ético) do curso de Permacultura e os donativos em todas as outras sessões reverterão para apoiar a vinda dos Seed Savers a Portugal.*

Para mais informações contactem sementeslivres@gaia.org.pt

FILME DOS SEED SAVERS:  "As Nossas Sementes"

Fonte: GAIA

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Espanha / Portugal: Aumento da cultura de milho OGM em 2011

Todos os anos, os Ministérios da Agricultura europeus publicam no seu sitio dados sobre a área cultivada com OGM. Esta é uma exigência legal.


Os dados espanhóis e portugueses foram anunciados durante o mês de setembro 2011... Enquanto a área plantada com milho OGM Bt tinha diminuído entre 2009 e 2010, houve um aumento para 2011.

Na Espanha 97 326 hectares foram plantados com milho Bt (um aumento de entre 27% e 44% de acordo com fontes em 2010). Este valor é calculado com base na compra de sementes: o Ministério especifica que "o tamanho estimado é baseado numa dose média de 85 000 sementes por hectare." Esta estimativa e esse cálculo deixa um pouco perplexo. Como já se podia ler no sitio da Inf'OGM no ano passado: "ainda não há na Espanha, como é exigido por regulamentos da UE, um registo dos terrenos cultivados com OGM". Em 2010, a área cultivada com OGM variava, segundo os diferentes dados do Ministério, de entre 67 726 hectares (um decréscimo de 11% em relação a 2009) e 76 575 hectares, representando uma margem de erro de 13% (quase 9.000 hectares ). Será que se passa o mesmo este ano?

Em Portugal, o Ministério anunciou para 2011, 7 723,6 hectares de milho OGM Bt, contra 4 868 hectares em 2010, um aumento de 59%. Entre 2009 e 2010, a área tinha diminuído. Encontramos aqui o mesmo padrão que anteriormente mencionado para a Espanha.

Finalmente, se as superfícies de milho OGM Bt (MON 810) flutuam de ano para ano, são sempre os mesmos países que o cultivam: Espanha (mais de 80% dos OGM cultivados na Europa), Portugal, Roménia, Eslováquia, República Checa e Polónia. A União Europeia continua na sua globalidade bastante hostil aos OGM, representando área de cultura OGM menos de 1% das terras agrícolas.


Fonte: Inf'OGM


Tradução livre da Zona Livre de OGM

sábado, 3 de setembro de 2011

“Milho” documentário de realização de José Barahona




“Milho” é um documentário da autoria dos cientistas e investigadores Élio Sucena, Ana Larcher Carvalho e Shrikesh Laxmidas com realização de José Barahona. Uma produção FILMES DO TEJO, com co-produção da MPC & Associados (Brasil), financiada pela FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA, PROGRAMA IBERMEDIA e RTP 2. Este documentário lança um olhar sobre a influência transversal da ciência e da tecnologia na nossa história, quotidiano e percurso comum enquanto civilização.
Estamos no limiar de uma nova mudança à escala global com o surgimento da tecnologia dos organismos geneticamente modificados. De que forma pode a história do milho ajudar-nos a descodificar a vasta teia de acontecimentos históricos, sociais, culturais, económicos, científicos e políticos associados ao impacto da ciência e das tecnologias na organização das nossas sociedades?
Será a tecnologia de transgénicos verdadeiramente perigosa para a saúde e para o equilíbrio ecológico? Ou estaremos apenas perante mais uma fase na evolução tecnológica que permitirá reduzir o impacto ambiental, aumentar a produtividade agrícola e erradicar a fome?
Um documentário rodado em Portugal, Estados Unidos, México e Brasil, com entrevistas a peritos internacionais em diversas áreas cientificas e com a participação especial de Custódia Gallego e João Pedro Cary.
SINOPSE
D. Ana prepara uma salada de milho para a sua família. Na televisão as notícias são contraditórias: alguns pregam os benefícios das novas variedades de milho transgénico e outros, pelo contrário, levantam questões catastróficas em relação a este novo avanço tecnológico. D. Ana fica sem saber o que é ou não seguro para alimentar a sua família… Mas a história do milho não começou aqui. Ela é parte integrante da forma como evoluiram as nossas civilizações. Tomando o milho como “personagem” principal, este filme fala-nos da influência da tecnologia nas formas de viver das nossas sociedades, no passado, presente e futuro.
AGRADECEMOS TODA A DIVULGAÇÃO POSSÍVEL
UM FILME APOIADO POR:
Fundação para a Ciência e Tecnologia, Programa Ibermedia, RTP2
Com a participação de Fundação Calouste Gulbenkian, Ciência Viva, Poci / União Europeia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Todos juntos pelo direito ao uso e partilha das sementes tradicionais


 A Colher para Semear vai levar a cabo uma iniciativa de âmbito nacional, no dia 17 de Abril, em Lisboa, no Jardim da Estrela, pedindo a todos os interessados que se desloquem à capital para trocar as suas sementes e manifestar o seu apreço pelo direito à existência das variedades tradicionais como um legado da humanidade.

MANIFESTO EM PROL DA SEMENTE E DA SOBERANIA ALIMENTAR 

Não se sabe bem ao certo, mas terá sido há dez ou onze mil anos que a humanidade lançou à terra as primeiras sementes com o intuito de colher algo para seu sustento. Dessa colheita terão resultado, por certo, não apenas alimentos imediatos, mas também novas sementes, que tornariam a ser semeadas no ano seguinte. Ficou assim traçada a orientação que viria a assegurar, até há algumas dezenas de anos atrás, a capacidade de todos nós, homens e mulheres, conseguirmos ultrapassar as contingências da natureza, deixando de estar sujeitos à sua aleatória generosidade no tocante à oferta de alimentos colectáveis, passando a cultivá-los para assegurar a soberania alimentar.
Passados alguns milhares de anos de evolução desta orientação de vida, foram sendo domesticadas pelo homem milhares de variedades de plantas e animais, ampliando muito as espécies disponíveis. Esta diversidade de espécimes de cultivares e de animais, fomentada pelo homem, muitas vezes como resultado do seu engenho, permitiu-lhe transpor as mais diversas barreiras, físicas e temporais, para conquistar os mais recônditos lugares do planeta. Hoje sabemos, pelos muitos factos históricos conhecidos, que em cada novo contacto do homem com diferentes plantas e animais ocorre não apenas um enriquecimento do indivíduo enquanto ser cultural, mas também uma melhoria no seu ser físico, graças ao acesso a acrescidas fontes de alimentos.
Estas longas conquistas da humanidade estão agora prestes a ser eliminadas ou, pelo menos, restringidas, pois outros interesses se levantam. A pretexto de questões como a necessidade de rastrear o percurso dos alimentos e a segurança alimentar, a Comunidade Europeia prepara-se para estabelecer uma directiva legal no sentido de impedir que as pessoas que sempre semearam e recolheram, assegurando a sua soberania alimentar, possam continuar a agir dessa maneira. Esta lei põe em causa um direito ancestral conquistado para todos nós, o de utilizarmos e guardarmos as sementes resultantes do trabalho e engenho dos nossos antepassados, direito esse que devemos continuar a legar às gerações futuras. Esta lei pretende atribuir estatuto museológico às variedades tradicionais que nos foram legadas por incontáveis gerações, enraizando-as no seu suposto lugar de origem e impondo que a sua comercialização e cultura, bem como o aproveitamento das suas sementes, se faça apenas nesse local e somente por alguns. Esta lei europeia, a ser aprovada, limita as áreas de cultivo e o número de pessoas que podem aceder às variedades tradicionais, as quais só terão direito a existir depois de submetidas a certificação. Não se entende como uma Europa que defende os valores da democracia, do livre acesso a bens e da sua livre circulação, pretende assim limitar o acesso de todos nós a este legado das sementes ancestrais.
No caso em apreço, podemos estar mais uma vez perante uma mentira. Quais são os verdadeiros interesses que estão por trás destas leis restritivas da Comunidade Europeia? Na verdade, por trás de palavras como «certificação», cujo sinónimo deveria ser autenticidade ou segurança, esconde-se muitas vezes a restrição no acesso a um direito, que fica, a partir daí, apenas ao alcance de quem pode pagar ou tem mais meios. A certificação significa, para uma Europa ávida de dinheiro e com uma economia em ruínas, a entrada de mais dividendos nos seus cofres.
Com efeito, se a semente não fosse «a origem», não seria tão aliciante querer controlar os seus destinos. A pressão que nos últimos anos vem sendo exercida por algumas multinacionais do sector da agro-indústria, as quais, não satisfeitas com o domínio que já exercem através das patentes das suas «criações», procuram também apropriar-se das plantas que são património comum da humanidade estabelecendo patentes sobre as variedades ancestrais, revela a urgência imperativa de controlarem a distribuição dos alimentos desde a origem até à nossa mesa.
Na verdade, não se percebe como é possível permitir que alguém, pessoa ou empresa, registe em seu nome algo que não criou e se torne seu «legítimo» proprietário. Não se percebem estas leis europeias com dois pesos e duas medidas, a não ser, repetimos, porque o registo de patentes constitui mais uma fonte de receitas para os cofres das instituições que as pretendem impor. Mas é evidente que corremos sérios riscos quando as sementes das variedades tradicionais, que são património da humanidade e como tal devem estar livremente acessíveis a todos, passam a ser objecto de controlo estatal para ficarem nas mãos de entidades exclusivas.
Poderemos estar prestes a assistir à consumação do maior atentado cometido na história das civilizações humanas, em que alguns homens, com as suas leis, põem em causa a sobrevivência da maioria. Porque é disso que se trata quando se pretende reduzir drasticamente o número de variedades e obrigá-las a permanecer imóveis nos seus supostos locais de origem, parando assim a sua e a nossa evolução.
Perante a possibilidade de ser aprovada a nova Lei das Sementes na Europa, declaramos ser nossa intenção continuar a fazer o que sempre fizemos: lançar as sementes à terra, recolhê-las no fim da estação, guardar algumas para o ano seguinte e partilhar outras com amigos, vizinhos e interessados. Achamos que esta será a melhor forma de resistir, pois foi a postura que os nossos antepassados mantiveram ao longo de milénios e que, apesar das muitas hecatombes a que a humanidade se viu sujeita ao longo da sua existência, não impediu que chegasse até nós um sem número de espécies e variedades. É certo que muitas se perderam ao longo desse percurso, mas isso aconteceu mais por desinteresse ou por abandono da actividade agrícola do que por qualquer lei impeditiva. Esta será sempre a nossa principal linha de acção. Se não assumirmos esta postura, será difícil reclamarmos o direito a usar e guardar as sementes, pois só isso permite que elas continuem a existir.
Instigamos todas as pessoas favoráveis à permanência das variedades tradicionais que nos sigam no exemplo e resistam, mesmo que a referida lei venha a ser aprovada. Por ser também da máxima importância usá-las no nosso dia-a-dia, instigamos todos os interessados a conhecer melhor este espólio, solicitando-o nos pontos de venda, estimulando a sua oferta e consumo.

A Colher para Semear vai levar a cabo uma iniciativa de âmbito nacional, no dia 17 de Abril, em Lisboa, no Jardim da Estrela, pedindo a todos os interessados que se desloquem à capital para trocar as suas sementes e manifestar o seu apreço pelo direito à existência das variedades tradicionais como um legado da humanidade.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Milho OGM diminui em Portugal


Pela primeira vez desde 2005, a área cultivada com transgénicos foi mais pequena este ano do que no ano passado. Também pela primeira vez uma região "desapareceu do mapa": em 2010 o Algarve deixou de ter cultivos transgénicos (entre 2007 e 2009, ao arrepio da vontade política da região, apenas a Herdade da Lameira, em Silves, tinha cultivado anualmente entre 40 e 50 hectares de milho transgénico).



Ou seja, o gráfico diz tudo: a cultura de milho transgénico diminuiu em Portugal! 

Se o Ministério da Agricultura, em vez de promover uma tecnologia patenteada cujo lucro reverte directamente para multinacionais estrangeiras, desse atenção e apoiasse o desenvolvimento de processos e boas práticas capazes de resolver de forma ecológica e sustentável o problema da broca do milho, o milho OGM dexaria de ter qualquer interesse para os agricultores portugueses.

Todos os gráficos foram construídos com base nos números oficiais sobre transgénicos publicados pela Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

REGRESSO ÀS ORIGENS - Reportagem da RTP sobre Permacultura em Portugal



Linha da Frente - Informação - Actualidades RTP 1 - Multimédia RTP


Numa altura em que a crise coloca graves constrangimentos nos orçamentos das famílias portuguesas, a RTP foi à procura de gente que acautelou o futuro, mudando hábitos de consumo, comportamentos, no sentido de garantir um modo de vida auto-sustentável.

Histórias de pessoas que se tornaram mais felizes com menos.
Seguem os princípios da Permacultura, isto é, a cultura da natureza.

Nesta reportagem do Linha da Frente, acompanhamos o quotidiano de uma conhecida manequim dos anos oitenta, a Maria Afonso Sancho, que deixou Lisboa e foi-se instalar no Montijo. Mudou todos os seus hábitos optando assim por uma vida ligada à natureza.
Tem um jardim comestível e dedica-se à agricultura biológica.
E agora, quando tem de fazer compras, não faz grandes gastos.

Outro caso, é o do Helder Valente que vive no centro de Lisboa, e que transformou o quintal do apartamento numa horta com dezenas de plantas e flores. Durante uma parte do ano ele e a sua esposa vivem do que produz a horta. Chamaram-lhe a Toca do rebento.

Histórias cruzadas que se ligam com a Loja do Vizinho, em Pombal. Um lugar de troca de produtos e objectos em segunda mão.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Portugueses dizem não aos OGM


Os alimentos geneticamente modificados não são bem vistos pelos portugueses. A conclusão é do Eurobarómetro "Europeus e Biotecnologia em 2010: Ventos de Mudança?" publicado, esta terça-feira. 



O relatório avaliou a posição das populações de vários países europeus dentro de oito grupos de tecnologias:  a biotecnologia e a engenharia genética, a energia solar, eólica, computadores e tecnologias da informação, o cérebro e o aumento da capacidade cognitiva, a exploração espacial, a nanotecnolgia e a energia nuclear. 

Paula Castro, professora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e das Empresas (ISCTE), que fez parte do grupo de trabalhos que elaborou este relatório, explicou que "há três dimensões, as tecnologias que poupam o ambiente, que são vistas como muito positivas, as tecnologias relacionadas com a saúde, que, a não ser que haja objecções muito grandes, são vistas como positivas, e depois há as tecnologias relacionadas com a alimentação, que são vistas como negativas." 


A sondagem revela que apenas 37 por cento dos portugueses encorajam esta tecnologia, longe dos 63 por cento de 1996.

"O apoio para os alimentos geneticamente modificados não tem tendência a subir na Europa. E cada vez mais está associado com dimensões éticas, não só de segurança" disse Paula Castro.

Fonte: Ecosfera

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cursos em Agricultura biológica



Chegou finalmente o tão aguardado curso de Agricultura Biológica homologado pelo Ministério da Agricultura! 


Estará a decorrer a partir de 22 de Novembro mais um curso de agricultura biológica da Agrobio, em duas cidades portuguesas uma no Sul e outra no Norte: Em Lisboa e em Braga.



Este curso tem a duração de 68 horas, em Horário pós-laboral.


Esta formação tem como público-alvo: Agricultores, mão-de-obra agrícola familiar ou trabalhadores agrícolas eventuais ou permanentes, sem formação ou experiência em Agricultura Biológica. Escolaridade mínima obrigatória. 
Pretende-se com esta formação qualificar os produtores para produzirem segundo o modo de produção biológico (Reg. (CE) nº 834/2007 do Conselho de 28 de Junho e respectivas actualizações). 

Para todos os interessados em agricultura biológica têm aqui uma excelente oportunidade para ficar a saber mais sobre o assunto.

Se ainda não frequentou, não perca agora esta oportunidade! 

Data Limite de inscrição: 10 de Novembro


E-mail: formacao@agrobio.pt 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mercados Biológicos em Portugal


Faça as suas compras à porta de casa, com qualidade e frescura, a preços do produtor!
Aproveite o passeio e forneça à sua família produtos de Agricultura Biológica, sem pesticidas e sem adubos químicos de síntese, saudáveis para si e para o ambiente.
Lista não exaustiva de mercados, em Portugal continental, onde se vendem alimentos provenientes da agricultura biológica, produzidos sem pesticidas e adubos químicos de síntese e, por isso, mais saborosos e saudáveis:

  • Algés: Jardim de Algés. Sáb. 9h-14h

  • Aveiro: Mercado Biológico Rossio, Aveiro. Sáb. 9h-13h

  • Cascais: Pq. Marechal Carmona. Sáb. 10h-18h

  • Coimbra: Mercado do Botânico - Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (Calçada Martim de Freitas) Coimbra. Sáb. 9h-13h

  • Lisboa:
  1. R. João Villaret, 9-13 (junto à Av. de Roma) Sáb. 9h-14h
  2. Mercado Biológico do Príncipe Real(Frutas, hortaliças frescas, cereais, azeite, ovos, frutos secos, queijos, enchidos, biscoitos, mel, pão e vinho de agricultura biológica) - Jardim do Príncipe Real. Sáb. 8h-14h

  • Maia: Mercado Biológico - Castelo da Maia, Maia. Dom. 9h-14h

  • Matosinhos: Mercado Biológico -  Jardim Basílio Teles, Matosinhos. Sáb. 9h-14h

  • Oeiras: Jardim de Oeiras. Sáb. 9h-14h

  • Porto: Feira de Produtos de Agricultura Biológica - Núcleo Rural do Parque da Cidade do Porto, Porto. Sáb. 10h-14h

Mais informação : Agrobio

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Portugal diz não ao arroz transgénico 2

Foi publicada hoje no Diário da República uma resolução da Assembleia da República que recomenda ao Governo que rejeite a comercialização de arroz transgénico LLRice62.

Depois do Ministro da Agricultura, António Serrano ter dito não ao arroz OGM, é agora a vez da Assembleia da República, pela voz do seu presidente Jaime Gama.
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
1 — Manifeste claramente junto das instituições europeias a sua posição de rejeição da comercialização
do arroz transgénico LLRice62;
2 — Accione a cláusula de salvaguarda e não permita a importação e comercialização deste arroz transgénico em território nacional, caso a União Europeia tome a decisão de a autorizar no espaço europeu;
3 — Apoie a produção de arroz convencional no País e promova o seu consumo, contribuindo para reduzir o défice da balança comercial dos produtos agrícolas.

sábado, 31 de julho de 2010

Portugal contra arroz transgénico na UE


 Tiago Petinga/Lusa
O Governo português vai votar contra a introdução de um arroz transgénico para consumo humano na União Europeia, revelou hoje à Lusa o ministro da Agricultura, António Serrano.

A União Europeia (UE) está a analisar um pedido da empresa alemã Bayer para que seja permitida a comercialização no espaço europeu do arroz transgénico LL62.

"Portugal irá votar contra, ao nível técnico e ao nível político, a entrada desse OGM [Organismo Geneticamente Modificado] em Portugal", disse
à Lusa António Serrano.

Segundo o ministro, "trata-se de um arroz que em muitas análises mostrou algumas fragilidades".  

"Reservas científicas" e proteção do arroz carolino 



"É um produto de entrada direta no consumo humano, com muitas reservas científicas, na nossa opinião, para além de concorrer diretamente com variedades portuguesas que queremos proteger, nomeadamente o arroz carolino", salientou.

Na comissão parlamentar da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, a Plataforma Transgénicos Fora (PTF) alertou hoje os deputados da para os possíveis problemas causados pela introdução deste arroz transgénico. 
Segundo Margarida Silva, da PTF, este arroz transgénico "tem sido posto em causa em termos científicos" e não tem merecido o apoio de outros países do espaço europeu, alguns dos quais já anunciaram a intenção de votar contra.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/portugal-contra-arroz-transgenico-na-ue=f593798
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