quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Rescaldo da Conferência Europa Livre de OGM 2010



Mais de 300 activistas de iniciativas livres de transgénicos e representantes de 37 países, representando as Zonas Livres de transgénicos da Europa, produtores de sementes, agricultores, apicultores, comerciantes, consumidores e cientistas encontraram-se na Bélgica, entre 16 e 18 Setembro 2010.
Os participantes discutiram criticamente a política para os OGM da União Europeia, e saudaram o anúncio da ministra do Meio Ambiente da Região de Bruxelas, pois o governo da Capital da Europa declarou-se zona livre de transgénicos. Em Bruxelas, fez-se uma acção (e formação teórico-prática) em frente ao Parlamento Europeu contra o cultivo de milho transgénico, e em reunião, vários retalhistas confirmaram o seu compromisso em não comercializar rações transgénicas.
Durante três dias, e ao longo de 30 workshops, os participantes trocaram informações e discutiram estratégias comuns para uma Europa livre de OGM.
A notícia mais chocante, que tal como foi recentemente publicado neste blog, veio do professor Andrés Carrasco, embriologista líder Argentina, que apresentou a evidência científica que o glifosato, o ingrediente ativo no mundo best-seller herbicida "Roundup", para que cerca de 75% de todos os OGM do mundo são resistentes, causam graves danos embrionárias.
Vê também este vídeo em que a activista Vandana Shiva fala, e bem!, sobre o caso dos transgénicos na Índia e sobre o Movimento anti-transgénicos aqui.
A conclusão final das Conferência é que o Movimento Internacional está decidido a lutar por uma moratória que nos liberte dos OGM no meio ambiente, tanto para expandir Zonas Livres de Transgénicos a nível nacional, e exigir uma revisão séria do processo de avaliação de risco a nível europeu, como para auxiliar o Movimento internacionalmente, em prol de uma agricultura sem transgénicos e pela Soberania Alimentar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

França: Processo de 86 ceifeiros voluntários começou hoje

O Tribunal Penal da cidade francesa de Marmande (sudoeste) foi hoje palco do inicio do julgamento contra 86 faucheurs volontaires"ceifeiros voluntários" acusados de ter destruido 15 hectáreas de milho geneticamente modificado (OGM) da Monsanto en 2006.

Em 02 de setembro de 2006, entre 200 e 300 pessoas ceifaram um campo semeado com milho transgênico MON810 da Monsanto, cultivado em Grézet Cavagna (Lot-et-Garonne) por Claude Menara, um pioneiro do milho transgênico no sudoeste da França.

O euro-deputado dos verdes José Bové que liderava o movimento, entregou à polícia uma lista contendo os nomes e endereços de dezenas de participantes  da ação, uma prática corrente dos "ceifeiros voluntários".


  Este será o maior julgamento realizado neste país contra destruidores de campos transgénicos.


Fonte: france3

Olha quem vem almoçar!

Bibá Pita, é uma das figuras públicas que colaboram no projecto


Figuras públicas promovem alimentação saudável em jardins de infância e escolas da região de Cascais. Ao longo de três semanas, vários famosos elogiam os benefícios dos alimentos biológicos.

Ao longo das próximas três semanas, o período de almoço nos Jardins de Infância e Escolas do Primeiro Ciclo da rede pública do concelho de Cascais vai ser marcado pela visita de figuras públicas das artes, espectáculo, desporto, política, saúde e outras de destacado interesse.
Carlos Areia, actor, Sebastião Antunes, músico dos Quadrilha, ou Bibá Pita, são alguns dos convidados que vão ajudar a promover uma alimentação saudável junto dos mais pequenos.
O projecto arranca hoje dia 11 de Outubro, na Escola Básica do primeiro Ciclo Amoreira 2 e no Jardim de Infância do Pai Vento, na Rua de Faro, às 11.30 h.

Associada ao projecto "O nosso dia de Alimentação Biológica", fruto da parceria estabelecida entre a Câmara de Cascais, Agenda Cascais 21, Agrupamentos de Escolas, entidades fornecedoras dos refeitórios escolares e a Agrobio - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, esta acção visa sensibilizar as crianças para uma alimentação saudável, em particular para os benefícios do consumo de alimentos sem químicos e com modos de produção saudáveis e amigos do ambiente.

Até dia 3 de Novembro os alunos das escolas e jardins-de-infância vão partilhar os seus almoços saudáveis com figuras públicas, que procurarão despertar as atenções da comunidade educativa para a introdução de alimentos biológicos nas ementas escolares.

No decurso destes dois projectos Cascais promove ainda, no Dia Mundial da Alimentação, 16 de Novembro, um Seminário sobre Alimentação Escolar intitulado "O que comem as nossas crianças? – Percursos, Experiências e Aprendizagens" que decorrerá no Centro de Educação do Ministério da Educação em Caparide.
O Seminário destina-se prioritariamente a educadores, professores e famílias e pretende aumentar a informação, proporcionar o debate sobre algumas das questões mais importantes sobre este tema e dar visibilidade a boas práticas em curso no concelho.

Fonte: Destak

sábado, 9 de outubro de 2010

Penafiel vira Biológico

A Câmara de Penafiel está a incentivar os jovens a tornarem-se agricultores biológicos. A ideia surgiu depois de dois exemplos em que este tipo de agricultura tem feito um sucesso considerável.





Foi no passado dia 26 de Setembro, que a Câmara Municipal de Penafiel assinou o protocolo para confirmar o seu apoio à agricultura biológica,  pela mão do seu Presidente  Alberto Santos. O objectivo é colocar terras abandonadas em actividade, criando oportunidades de emprego. Os benefícios dos produtos biológicos são muitos, apontam os novos produtores. Mais qualidade, mais sabor, produtos sem químicos e, por isso, mais saudáveis.


Fontes: O verdadeiro Olhar, CM de Penafiel 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Como o mercado das sementes é controlado pela Monsanto, Syngenta, Bayer, Dow e Dupont






Gráfico mostra como apenas cinco gigantes da biotecnologia aumentaram o seu controle sobre o mercado global de sementes, promovendo a monocultura e tornando mais difícil para os agricultores  encontrar fontes alternativas de sementes



Desde meados dos anos 1990 apenas cinco gigantes da biotecnologia - Monsanto, Syngenta, Bayer, Dow e DuPont - compraram mais de 200 outras empresas, o que lhes permite dominar o nosso acesso a sementes.

Philip Howard da Michigan State University, produziu um visual único para ilustrar esta crescente concentração de poder nas mãos de poucas empresas. Segundo Howard o monopólio do mercado de sementes tem sido "dramático" e que é cada vez mais difícil para os agricultores encontrar alternativas.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

AFP - Mais de um milhão de assinaturas para exigir a suspensão das autorizações de cultura de OGM

Eis a noticia, que os leitores deste blog tiveram a honra de lêr em primeira mão, e que (só) agora vem na Agência de Imprensa Francesa (AFP).




Mais de um milhão de cidadãos europeus assinaram uma petição pedindo a suspensão das licenças das colheitas e comercialização de organismos geneticamente modificados (OGM), anunciaram na terça-feira a Greenpeace e  o movimento da Avaaz que estão por trás desta iniciativa.
Lançado como parte da iniciativa de cidadania ", introduzido pelo Tratado de Lisboa em Dezembro de 2009 para permitir que os cidadãos" possam convidar a Comissão a propor novas leis ", esta petição visa suspender o processo de aprovação de OGM.
A petição solicita José Manuel Durão Barroso, para que implemente "uma moratória sobre a introdução de culturas GM na Europa e estabelecer uma organização ética e científica independente para realizar pesquisas sobre o impacto dos OGM e determinar a sua regulamentação" . (Ou seja uma alternativa à AESA!)
Mas a Greenpeace está um passo à frente ", lamenta a Comissão. Uma étapa importante tem ainda que ser ultrpassada: a adopção de um regulamento que estabeleça as regras e os procedimentos da iniciativa dos cidadãos. 
A Comissão fez uma proposta. Ela chegou a um acordo político com os Estados, mas ainda não foi aprovado pelo Parlamento Europeu. 
Legalmente, a petição não é uma iniciativa de verdadeiros cidadãos, reconheceu o deputado verde alemão Gerald Hafner. Tudo depende agora de Durão Barroso. "Ele pode decidir que esta petição não seja admissível ", disse Hafner. Mas seria politicamente difícil de vender.


Não podemos ignorar mais de um milhão de assinaturas!


Fonte: AFP

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Video da Acção de Protesto contra o cultivo de Transgénicos em Bruxelas


 Esta acção de protesto decorreu no passado dia 16 de Setembro de 2010, organizada pelos Faucheurs Volontaires(ceifeiros voluntários).


Esta última teve como principal consequência a divulgação da mudança de estatuto da capital da Europa , que passou a ser “GMO free”, anunciado pela ministra do ambiente de Bruxelas, Evelyne Huyteboeck.




domingo, 3 de outubro de 2010

Herbicida de soja transgénica pode causar defeitos de nascimento



NOVOS ESTUDOS CIENTÍFICOS DEMONSTRAM  IMPACTOS NEGATIVOS

Uma equipa internacional de cientistas conceituados publicou este mês um relatório sistematizando as provas acumuladas sobre os riscos ambientais e para a saúde humana do Roundup (o herbicida mais vendido no mundo) e respectivo cultivo de soja transgénica Roundup Ready (manipulada para receber a aplicação desse herbicida).




O relatório "Soja GM: Sustentável? Responsável?"(1) realça a investigação pioneira(2) do cientista do governo argentino, Professor Andrés Carrasco, que prova que o glifosato causa malformações e defeitos de nascimento em animais de laboratório, mesmo em dosagens muito inferiores às usadas na pulverização agrícola. "Os resultados em laboratório são análogos às malformações observadas em embriões humanos expostos ao glifosato durante a gravidez", aponta o Prof. Carrasco.
Este relatório é lançado em conjunto com testemunhos filmados(1) de aldeões argentinos cujas vidas foram destruídas pelo cultivo da soja transgénica (GM). Na Argentina e no Paraguai, médicos e habitantes das zonas de produção da soja GMrelatam efeitos nefastos na saúde resultantes da pulverização de glifosato, incluindo índices elevados de malformações, abortos espontâneos, cancros e aumento de casos de nados-mortos.(3) Os estudos científicos reunidos no novo relatório confirmam a ligação entre a exposição ao glifosato e numerosíssimos efeitos nefastos para a saúde, incluindo danos no DNA e órgãos reprodutores.
Carrasco diz que "as pessoas que vivem nas zonas de cultivo de soja na Argentina começaram a reportar problemas em 2002, apenas dois anos após as primeiras colheitas em grande escala da soja GM Roundup Ready". Residentes das áreas afectadas relatam também danos ambientais resultantes do uso do glifosato, como a contaminação das culturas agrícolas e ribeiros cheios de peixes mortos na sequência da sua aplicação. Estas observações são sustentadas por estudos científicos trazidos a lume pelo novo relatório que demonstram que o glifosato é tóxico para o meio ambiente.
O relatório "Soja GM: Sustentável? Responsável?" refuta  fundamentadamente as afirmações da indústria sobre a sustentabilidade do cultivo da soja GM e a segurança dos herbicidas à base de glifosato como o Roundup. Mas a Mesa Redonda sobre Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy, RTRS), um fórum misto com representantes da indústria e algumas organizações não governamentais para a produção sustentável de soja, planeia lançar a nível internacional um rótulo para essa soja, dita "responsável", cujo objectivo é assegurar aos consumidores e distribuidores com preocupações éticas que a soja foi produzida tendo em conta as pessoas e o ambiente. Certificará também a soja GM pulverizada com glifosato como sendo responsável.
A RTRS reúne multinacionais tais como ADM, Bunge, Cargill, Monsanto, Syngenta, Shell e BP, e associações - muito contestadas - como o WWF e Solidaridad.
Claire Robinson, da GMWatch, comenta assim essa intenção:
        "É uma farsa cruel chamar sustentável e responsável ao modelo de agricultura que envolve a soja transgénica e o seu herbicida Roundup. Os critérios da RTRS convêm à indústria mas são tão fracos que não protegem a população local dos riscos conhecidos da soja GM e do Roundup, documentados no relatório. Nem sequer protegem a floresta tropical, um dos objectivos iniciais. A RTRS também ignora os problemas sociais causados pelas monoculturas de soja GM. Os meios de subsistência locais e a segurança alimentar são erodidos à medida que as terras usadas para produzir alimentos são entregues às monoculturas desta soja tóxica, maioritariamente exportada para a Europa para alimentar o gado."

O relatório mostra que a proporção de pessoas pobres e famintas na Argentina subiu de 15% em 1996 - o ano da introdução da soja transgénica - para 47% em 2003.




A soja GM Roundup Ready é também importada para Portugal, onde alimenta vacas, galinhas e porcos que mais tarde fornecem a carne que comemos. Além disso, é utilizada para produzir lecitina de soja, usada em centenas de alimentos humanos. Por isso Margarida Silva, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora, afirmou já que "A soja transgénica é uma ameaça global e os estudos científicos mais recentes demonstram que a realidade é bastante pior do que se suspeitava. Portugal não pode continuar a importar esta soja transgénica como se nada fosse. Os bifes e galinhas que comemos, quando provenientes de produção intensiva, trazem consigo um rasto de sangue, doença e muitas famílias desfeitas. O Roundup tem de ser proibido e as Medidas Agro-Ambientais que o apoiam têm de ser desde já reformuladas."(4)

Adaptado do comunicado internacional do GM Watch: www.gmwatch.org
Contacto do GM Watch: Claire Robinson 0044-1363 773787         
Email: claire@gmwatch.org
Contacto da Plataforma Transgénicos Fora: 91 730 1025

Notas1.     O relatório "Soja GM: Sustentável? Responsável?", testemunhos de aldeões, entrevista com o Professor Andrés Carrasco, imagens e mais informações disponíveis  no site da GM Watch, por este link
2.      Paganelli, Gnazzo, Acosta, Lopez, Carrasco (2010) Glyphosate-Based Herbicides Produce Teratogenic Effects on Vertebrates by Impairing Retinoic Acid Signaling. Chem. Res. Toxicol. DOI: 10.1021/tx1001749 Disponível por este link
3.    Os cientistas e todos os que contestam o modelo de agricultura baseada em soja transgénica reportam ser alvo de censura e assédio. Em 2010 a Amnistia Internacional chamou a atenção e apelou à investigação de um ataque violento na vila argentina La Leonesa de um grupo organizado sobre pessoas reunidas para ouvir o Professor Carrasco falar sobre a sua pesquisa.
4.     Em Portugal, o Roundup e muitos outros produtos comerciais tambem à base de glifosato, são abundantemente utilizados na agricultura e em zonas urbanas, sendo até recomendados para a prática agrícola da não mobilização ou mobilização mínima do solo. O objectivo de proteger o solo contra a erosão é louvável, mas o uso de Roundup não pode ser financiado pelas Medidas Agro-Ambientais, com subsídios da União Europeia e do Estado português. Os dados contrariam a posição das empresas fabricantes - que divulgam o glifosato como um herbicida biodegradável - mostrando que no solo o glifosato se transforma numa susbtância ainda mais tóxica, mais persistente e poluente para os solos e para as águas - o AMPA (ácido aminometilfosfónico).
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A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por doze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CAMPO ABERTO, Associação de Defesa do Ambiente; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras. Para mais informações contactar info@stopogm.net ou www.stopogm.net



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